10. CULTURA 15.5.13

1. TELEVISO - A AL JAZEERA QUER VIR PARA O BRASIL
2. LIVROS - O CDIGO DANTE
3. EM CARTAZ  MSICA - MSICA O QUARTO AZUL DE MADELEINE PEYROUX
4. EM CARTAZ  LIVROS - NASCIMENTO DA TRAGDIA
5. EM CARTAZ  CINEMA - RQUIEM PARA A IRM MORTA
6. EM CARTAZ  EXPOSIO - VANGUARDA EM AO
7. EM CARTAZ  SHOWS - CELULARES LIBERADOS
8. EM CARTAZ  AGENDA - SERGIO CAMARGO/POETA VISUAL/VERMELHO
9. ARTES VISUAIS - ELAS, MULHERES ARTISTAS
10. ARTES VISUAIS  ROTEIROS - FILME DE ARTE

1. TELEVISO - A AL JAZEERA QUER VIR PARA O BRASIL
A emissora de tev rabe se liberta do estigma de porta-voz do terrorismo, conquista a simpatia de parte da populao dos EUA e admite que precisa se instalar no Pas para crescer
Aina Pinto

Vivem no Brasil, segundo estatsticas oficiais, cerca de dez milhes de pessoas com ascendncia rabe. Mais: o mundo todo reconhece o lugar de destaque que o Pas conquistou no cenrio internacional nos ltimos anos. Mais ainda: em 2014 ser disputada aqui a Copa do Mundo e em 2016 os Jogos Olmpicos. O Brasil  notcia  e tudo isso o coloca agora como prioridade nos planos de crescimento da rede de televiso Al Jazeera, que pretende abrir um canal fechado em territrio brasileiro. Precisamos e queremos estar no Brasil e j comeamos a trabalhar nesse sentido, tem dito o diretor-geral das transmisses em ingls da emissora, o britnico Al Anstey, que no adianta detalhes do projeto.

FBRICA DE NOTCIAS - O QG da Al Jazeera, em Doha, no Qatar (acima), e o logo da emissora: contedo em ingls para 130 pases

A tev Al Jazeera ainda oscila em audincia e na simpatia de muita gente em todo o planeta e isso se deve ao fato de ter carregado durante bom tempo o estigma de porta-voz do grupo Al Qaeda, porque exibia constantemente imagens e mensagens do terrorista Osama bin Laden. Foi o preo que pagou, e em parte ainda paga, pelas informaes exclusivas que veiculava. Mas  certo que, bem menos atada  figura de Bin Laden, os especialistas em telecomunicao olham hoje para a Al Jazeera como um dos principais canais internacionais  e so seus prprios concorrentes de tev fechada, em outros pases, a admitirem, por exemplo, que a melhor cobertura da tragdia da boate Kiss, na cidade gacha de Santa Maria, foi feita pela emissora rabe com um quadro de apenas seis profissionais que j mantm no Pas  ainda um escritrio de correspondentes, no um canal. Junto aos brasileiros, a pecha de tev ligada ao terrorismo nunca colou. Os entrevistados adoram contar aos amigos que foram ouvidos por ns, diz o reprter Gabriel Elizondo. Quanto ao incndio na boate que matou 241 pessoas, ele pondera que a matria foi extensa e profunda, mas no  a melhor j produzida. Considero nossos melhores trabalhos no Brasil as reportagens especiais sobre a usina hidreltrica de Belo Monte e a seca no Nordeste.
 
No incio deste ano, a rede deu um passo bastante ousado. Se algum falasse, tempos atrs, que a Al Jazeera pretendia comprar um canal de tev nos EUA, seria considerado, no mnimo, maluco ou agente do terrorismo. Mas o tempo passou, Bin Laden foi morto e  quem diria ?  em janeiro a emissora comprou a deficitria rede de tev Current. Detalhe: adquiriu o canal diretamente das mos do ex-vice-presidente americano Al Gore. A guerra contra ela no  mais to dura como antigamente, mas que a Al Jazeera colocou a mo num vespeiro, isso colocou. Nos EUA ela ainda  olhada com muita desconfiana e nem poderia ser diferente, pois afinal bombas acabam de explodir na maratona de Boston e o 11 de Setembro  trauma nacional incurvel. As crticas mais cidas saem do Partido Republicano e nenhuma voz  mais insistente do que a do diretor do jornal Accuracy in Media. Ele se chama Cliff Kincaid e repisa: A Al Jazeera ajudou a matar americanos e ajudou a criar a guerra civil no Iraque.

Se parte da populao segue o que diz o republicano Kincaid, tambm vale lembrar que a televiso em questo teve apoio da opinio pblica na cobertura que fez das revoltas da Primavera rabe, quando deu voz aos rebeldes e foi a primeira a noticiar a morte em 2011 do ditador lbio Muamar Kadafi. Em contrapartida, recebeu crticas por no ter aberto espao,  mesma poca, para os conflitos no Bahrein contra o governo sunita  o Qatar, que sedia e financia a Al Jazeera,  uma monarquia sunita. Mais inimaginvel ainda do que o fato de essa tev rabe ter comprado a Current de Al Gore seria pens-la ganhando elogios do governo de Israel. Mas tambm isso se viu recentemente, quando autoridades israelenses declararam que a Al Jazeera abre espao para nossos pontos de vista. EUA e Israel foram, assim, o grande teste de fogo. Se esse canal fechado desembarcar no Brasil como almeja  e tudo leva a crer que isso ocorra, embora por enquanto no seja revelada nem a quantia que se pretende investir , a situao ser bem mais tranquila. Haver quem goste e quem desgoste, como tudo na vida. Ser, no entanto, a qualidade de sua programao que estar sob o crivo da crtica popular, at porque os crimes de Bin Laden nunca deram ibope na alma brasileira.


2. LIVROS - O CDIGO DANTE
Uma dcada aps o estouro de "O Cdigo Da Vinci", Dan Brown lana "Inferno" tendo como inspirao o autor Dante Alighieri. Agora, o cenrio do mistrio so as passagens secretas de Florena e suas obras renascentistas
Ivan Claudio

Est em A Divina Comdia, livro monumental do escritor italiano Dante Alighieri (1265-1321): Abandonem toda esperana, vs que aqui entreis. Esse verso ser ouvido muitas vezes a partir da tera-feira 14, quando chega s livrarias dos EUA e da Europa o aguardado romance de Dan Brown, intitulado justamente Inferno, uma das partes da Comdia (no Brasil a obra  editada pela Sextante e estar disponvel no dia 24). O trecho  e muitos outros  ser lembrado porque o simbologista e historiador de arte Robert Langdon, protagonista da histria, encontra-se agora envolvido em crimes e enigmas ligados  vida e  obra de Dante. Muda-se o ambiente de museus e igrejas parisienses que registraram a atividade de organizaes fechadas como o Priorado de Sio e a Opus Dei, cenrio de O Cdigo da Vinci, megassucesso de Brown, com 80 milhes de cpias vendidas; entra em cena a Florena de vielas estreitas, construes renascentistas, passagens secretas, obras de arte a cu aberto e toda a mirade de smbolos cifrados relativos  ao de outra entidade secreta, o Consrcio, atuante ainda hoje em sete pases como estabelecido na apresentao da obra. Brown diz que usa um nome falso para a entidade como meio de se proteger. Garante, no entanto, que as peas de arte, os locais histricos e os segredos desvendados so reais  isso faz parte de seu estilo, criticado por acadmicos do mundo inteiro mas adorado por um pblico que j consumiu 200 milhes de livros de sua autoria. Comparecem entre os detratores at os estudiosos da Universidade de Harvard, em cujos quadros estaria justamente o heri fictcio de cala cqui e blazer ingls, representado no cinema pelo bom-moo Tom Hanks.

SUSPENSE - O inferno descrito por Dante (acima) anima a trama passada em Florena.   s margens do rio Arno que se inicia o eletrizante enredo

 justamente o palet da tradicional marca Harris Tweed, manchado de sangue, que se v ao lado de Langdon em um hospital de Florena. Ele mostra-se desmemoriado e com um longo corte no crnio. Os mdicos que acompanham o seu caso, dr. Marconi e dra. Sienna, ambos um pouco torturados a julgar pela forma com que so apresentados, acharam nos pertences do paciente um gravador. O que ouvem  sinal de algum acuado: o prprio Langdon. Nas primeiras pginas de Inferno, cuja tiragem americana sai com quatro milhes de exemplares, suspeita-se que o simbologista fora sequestrado durante uma conferncia nos EUA. E que estaria na mira de uma jovem punk, montada numa possante moto BMW e enfiada num macaco de couro negro no qual se v uma pistola com silenciador. Antes disso, no prlogo, um homem identificado como Sombra  perseguido por um bando inimigo, atrs de um objeto sagrado ou uma revelao valiosa. O fugitivo pede ajuda ao poeta Virglio, que na Comdia teria guiado Dante pelos nove crculos do inferno, levando  concluso de que esse personagem fosse o prprio poeta. Ledo engano: mais adiante ele se refere a Michelangelo (1475-1564), que nasceu um sculo depois da morte de Dante. Entremeadas a todas essas pistas, aparecem vises das profundezas, como descritas na Comdia.

MANIPULADOR - Como Hitchcock lanava seus filmes, Dan Brown faz da publicao de seu livro um evento miditico

Est lanado o mistrio  e enigmas no faltam a Brown, tanto em suas tramas como no marketing usado para lanar seus livros. O suspense em relao a essa quarta aventura de Robert Langdon, que chega exatamente dez anos depois de O Cdigo da Vinci, foi detonado em maio do ano passado. De l para c, o autor municiou a mdia com muitas charadas. Primeiro foi o anncio do nome do livro e de sua inspirao. Para isso, usou um site que recebia posts dos fs enquanto a palavra inferno ia sendo formada: foram tantas contribuies que o portal saiu do ar. Em maro, ao disponibilizar os primeiros trechos do romance, o nmero de downloads chegou a 500 mil s nos EUA. Na semana passada, a editora Mondadori, responsvel pela edio italiana do romance, postou no YouTube um vdeo que alimentou ainda mais a curiosidade ao mostrar o trabalho de 11 tradutores, incluindo os brasileiros Fernanda Abreu e Fabiano Morais. Eles eram acompanhados por seguranas armados. Proibidos de revelar qualquer detalhe da histria, disseram que nem seus patres sabiam do contedo. Ou seja, eles teriam comprado o ttulo no escuro, o que casa perfeitamente com o clima soturno do enredo.
 
Sigilo, alis, poderia ser o sinnimo de Inferno. Os manuscritos do romance foram transportados at a editora Doubleday, em Nova York, por avio, evitando o vazamento caso fossem enviados por e-mail. A edio deu-se em uma sala secreta; a impresso foi liberada apenas a tcnicos selecionados, sem celular ou cmera. Brown fez pesquisas em Florena, mas s foi visto entrando no Palazzo Vecchio, local repleto de signos para iniciados.

Se o escritor americano conseguir usar o universo de Dante como fez no passado com a obra de Da Vinci, o pblico certamente vai devorar o livro. Mas  claro que a obra do poeta no vai ficar mais conhecida: pouca gente tem nimo para encarar as complexas rimas do autor florentino. O que se assiste  ao reinado de um tipo de literatura que no  nova, o thriller histrico, mas mobiliza o mundo em razo de um marketing imbatvel.


3. EM CARTAZ  MSICA - MSICA O QUARTO AZUL DE MADELEINE PEYROUX
por Ivan Claudio e Aina Pinto

Imitao e influncia nascem de um mesmo sentimento: a admirao por um modelo. Em 17 anos de carreira, a cantora de jazz americana Madeleine Peyroux  ora acusada de imitar Billie Holiday, ora reconhecida como sua seguidora. Para mostrar que se interessa pela tradio e no pela cpia, em seu novo CD, The Blue Room, ela homenageia outro mestre da msica americana  desta vez, um homem: Ray Charles. Metade das msicas gravadas, como Bye Bye Love e  I Cant Stop Loving You, pertence ao lbum Modern Sound in Country & Western Music, de Charles, disco que fundiu jazz, blues e country. O restante vem de compositores como Buddy Holly e Leonard Cohen, interpretados com o mesmo charme, numa prova de que se encontra em outro patamar: eleva a influncia em estilo.

+5 seguidoras de Billie Holiday
Amy Winehouse
 Ela gravou (Theres no) Greater Love, do repertrio de Billie, no CD Frank, de 2003, em sua fase mais jazzstica
 
Roberta Flack
 A cantora e pianista foi comparada  diva do jazz ao imprimir um estilo melanclico ao disco Killing Me Softly, de 1975
 
Norah Jones
 Costuma incluir em seus shows o standard Lover Man, conhecido na voz de Billie e escrito especialmente para ela
 
Aretha Franklin
 Entre as canes que gravou da lady singer est God Bless The Child
 
Janis Joplin
 Seu livro de cabeceira era Lady Sings the Blues, autobiografia de Billie Holiday. Janis elogiava nela o privilgio da emoo sobre a tcnica


4. EM CARTAZ  LIVROS - NASCIMENTO DA TRAGDIA
por Ivan Claudio e Aina Pinto

Os Persas, de squilo, foi encenada pela primeira vez h 2.500 anos e  considerada a pea teatral mais antiga que se conhece. A nova traduo, lanada pela editora Mameluco, foi feita por Junito de Souza Brando, o grande helenista brasileiro. O vigor de seu enredo atravessa os sculos: narra a derrota do exrcito persa diante das tropas gregas e a angstia da me do comandante Xerxes, a rainha Atossa.


5. EM CARTAZ  CINEMA - RQUIEM PARA A IRM MORTA
por Ivan Claudio e Aina Pinto
Em que medida uma experincia ntima, de perda e luto, atinge o plano universal a ponto de interessar e envolver o pblico em geral? O documentrio Elena, de Petra Costa, lana essa pergunta ao tratar da morte da irm da cineasta, que foi para os EUA nos anos 1980 tentar a carreira de atriz. A partir de vdeos caseiros, dirios, cartas e recortes de jornais, Petra conta a histria de Elena misturada  memria que ficou dela. Mostra, assim, como h perguntas sem respostas para o luto provocado pelo suicdio. Fartamente premiado, o documentrio venceu nas categorias de direo, montagem e direo de arte no Festival de Braslia.


6. EM CARTAZ  EXPOSIO - VANGUARDA EM AO 
por Ivan Claudio e Aina Pinto
Mais conhecida pelo ensino da arquitetura e do design, a escola alem Bauhaus, fundada no incio do sculo passado pelo arquiteto Walter Gropius, nunca desprezou as possibilidades da fotografia e do cinema em suas atividades.  justamente a produo nessas mdias que ganha mostra em So Paulo, a partir da sexta-feira 17, com a exposio bauhaus.foto.filme, reunindo 100 fotos de nomes como Lszl Moholy-Nagy e T. Lux Feininger. Numa grande instalao sero mostrados os mesmos filmes que Gropius selecionou para a inaugurao do novo prdio da escola, em 1926. Sete anos depois, a escola foi fechada pelos nazistas  eles alegavam que o modernismo era coisa de comunistas.


7. EM CARTAZ  SHOWS - CELULARES LIBERADOS
por Ivan Claudio e Aina Pinto
O msico uruguaio Jorge Drexler  como o seu pas: discreto e avanado nos assuntos que realmente interessam. Na turn Mundo Abisal, que chega ao Pas na prxima semana, com shows em So Paulo e no Rio de Janeiro a partir da quarta-feira 15, ele proporciona  plateia uma srie de interaes enquanto executa msicas de seus dez CDs  entre elas, Polvo de Estrellas e Todo se Transforma. Acompanhado de banda, samplers e baterias eletrnicas, ele faz uso de um aplicativo desenvolvido para o show, que possibilita  plateia alterar as canes com o uso de smartphones.


8. EM CARTAZ  AGENDA - SERGIO CAMARGO/POETA VISUAL/VERMELHO
Conhea os destaques da semana
por Ivan Claudio e Aina Pinto

SERGIO CAMARGO
 (IAC, So Paulo, at 31/8)
Sob o ttulo de Construtor de Ideias, a mostra rene 100 documentos, fotos, desenhos, estudos, frases e obras em pequenos formatos
 
POETA VISUAL
 (CCBB, Rio de Janeiro, at 26/5; CCBB, So Paulo, a partir de 22/5)
30 filmes do diretor russo Alexander Sokurov, hoje o mais importante de seu pas. Sero exibidos todos os seus longas de fico e grande parte dos documentrios
 
VERMELHO
 (Sesc Ginstico, Rio de Janeiro, at 17/6)
O artista Mark Rothko  interpretado por Antonio Fagundes. Seu filho Bruno Fagundes faz um pintor iniciante. A pea  dirigida por Jorge Takla


9. ARTES VISUAIS - ELAS, MULHERES ARTISTAS
Exposio com obras do acervo do Centre Pompidou chega ao Brasil e conta uma nova histria da arte feita por mulheres
 Nina Gazire

 MARTIMA - Videoinstalao "Blood Sea", da artista brasileira Janaina Tschpe
 
No ano de 2009, o Centro Georges Pompidou deu um passo na histria das curadorias de colees. A exposio elles@pompidou.com.br esteve em cartaz at 2010, apresentando mais de 500 obras de 200 mulheres artistas que integram a coleo. A exposio celebrou de maneira indita uma produo que ao longo dos sculos teve espao parco dentro da histria oficial da arte, predominantemente branca e masculina. Desde ento, a exposio se tornou itinerante. Durante o ano de 2012 passou pelo Seattle Art Museum, nos EUA, e agora chega ao Rio de Janeiro no prximo dia 23 de maio.
 
A mostra ELLES: Mulheres Artistas na Coleo do Centro Pompidou ficar no CCBB Rio at julho contando uma nova histria da arte feita apenas por artistas mulheres. Sero 180 obras, algumas delas manifestos pessoais contra a injustia de gnero tanto na arte quanto na sociedade. Os trabalhos abarcam o perodo de um sculo  1907 a 2010  em diferentes formatos como pintura, escultura, desenho, fotografia, vdeo e instalao.

MSICA CROMTICA - "Rythme Couleur", da artista modernista Sonia Delaunay
 
Anna Bella Geiger e Letcia Parente, duas brasileiras na coleo francesa, participam da mostra com vdeos emblemticos. Apesar de serem frequentemente interpretados como manifestos contra o estado poltico no qual o Brasil se encontrava na dcada de 1970, os trabalhos permitem tambm uma leitura feminista sobre a situao da mulher na poca. Com curadoria de Emma Lavigne e Ccile Debray, obras contemporneas como a videoinstalao Blood Sea, da brasileira Janaina Tschpe, estaro lado a lado com as de artistas importantes do perodo moderno. Exemplo  a presena da obra da pintora russa-francesa Sonia Delaunay, um dos grandes nomes do orfismo, movimento artstico do incio do sculo XX, voltado para a cor e sua relao com o abstracionismo.
 
Outros momentos, divididos por tpicos, compem a mostra, como a seo Abstrao colorida/abstrao excntrica, dividida em trs partes e com obras da artista francesa Louise Bourgeois, da portuguesa Maria Helena Vieira da Silva e das francesas Genevive Asse e Vera Molnar. Consonante com o momento de revolta em relao ao lugar da mulher na histria da arte ser a seo Musas contra o museu, que ter um painel indito do coletivo feminista annimo Guerrilla Girls, conhecido por produzir peas publicitrias contra a desigualdade de gnero no mundo da arte.
 
ELLES: Mulheres Artistas na coleo do Centro Pompidou/Centro Cultural Banco do Brasil, RJ/ de 23/5 a 14/7


10. ARTES VISUAIS  ROTEIROS - FILME DE ARTE
SUSPENSE - KATIA MACIEL/ Zipper Galeria, SP/ at 15/5
Nina Gazire

A palavra mise en scne  francesa e teve sua origem no teatro clssico, referindo-se  movimentao e ao posicionamento dos atores e cenrios no palco, no que diz respeito  preparao de um clima psicolgico para uma cena. No cinema, a tcnica ganha fora com enquadramento de cmeras, luz e ao dos atores. Em Suspense, da artista carioca Katia Maciel, no temos um filme no sentido tradicional, mas mise en scnes em srie que trabalham com a ideia em torno do sentimento de suspenso, ou melhor, suspense.

Na entrada da galeria Zipper, onde a mostra acontece at a quarta-feira 15, cartazes funcionam como trailers de um filme. A palavra suspense aparece em todos os cartazes ao lado de frases poticas sobre a iminncia de que algo est para acontecer com uma mulher, presente em imagens fragmentadas, em meio a uma floresta.  a prpria artista que incorpora a personagem sem rosto. Os trabalhos falam desse estado de algo que est em suspenso, que est para acontecer e por isso nunca se configuram como um acontecimento nomeado. Se eu mostrasse o rosto, o acontecimento teria um nome, explica Katia.
 
A artista trabalhou por cerca de nove meses no processo de criao das seis obras que, apesar de no resultarem em um filme, so um cinema-instalao. Em uma das obras principais, Katia sintetiza em uma videoperformance o sentimento de se estar suspenso. No vdeo, ela est alada como um pndulo em uma rvore. Neste estado do suspense, voc se v  merc de um acontecimento.  um estado de ansiedade em que o tempo parece passar mais vagarosamente, define.
 
Completam a exposio caixas de luz, onde a artista, conhecida por seu trabalho com o vdeo, cria objetos interativos em homenagem s camadas mais elementares do cinema: a iluso e a luz. Em Caixa de Ar, o visitante poder manipular uma caixa transparente, onde a palavra ar est impressa em duas bolinhas de ping-pong, brincando com a ideia da intangibilidade. J em Caixa de Luz,  a luz, razo da iluso da sala escura cinematogrfica, que  transformada em estado slido em uma poesia visual que brinca com espelhos e a palavra luz.

